Década de 70

Década de 80

O Sonho acabou

Nesta década, o custo médio da produção subiu tanto que passou a ser calculado em milhares de dólares. E os prejuízos em milhões de ONTs. Mais salas viraram supermercados e espigões. Também, o número de produtores ultrapassou 1.400; portato, uma quantidade igual ou superior à dos, reunidos, produtores dos E.U.A, França, Inglaterra, Alemanha Ocidental, Itália, Japão, Canadá e, de quebra, a União Soviética, ou seja, os mais ricos do mundo somados ao patrono dos mais pobres... Mas os nossos são produtores sem cinemas... E cinemas sem espectadores. A crise completa em 1989, 60 anos só no falado. E propalado...

Desde o final do decênio passado, a pornografia sexplícita atingiu o pico, e começou a decrescer em 1986, com a recessão econômica em marcha e, sobretudo, a saturação dos telespectadores. Também os prêmios obtidos em festivais internacionais não mais comovem a platéia doméstica, muito menos a externa.

Se a Cinédia dominou os 30s, a Atlântida os 40s, a estudiopatia paulista os 50s, a insânia cameramanovista os pedestres 60s, e o cinemanu os anestesiantes anos 70, nesta década um véu de neve parece cobrir o cinema brasileiro da cabeça aos pés. E ele se torna invisível para as platéias, com as exceções costumeiras. Até os Trapalhões, ricos e cansados, com estúdios em Teresópolis, Recreio dos Bandeirantes e adjacências, já não eletrizam mais a gurizada. Os esforços isolados dos independentes(e dependentes) das verbas oficiais produziram alguns títulos de reduzido apelo popular e razoável receptividade crítica. Mas desapareceu o fervor cívico que incentivara os realizadores dos dourados anos 30... a baderna criativa doa prateados - mas não pranteados - anos 60. À retração econômica corresponde, agora, um retração artística idêntica à que andou permeando a cinematografia de outras fontes no início da década. Há muita gente estreando em todas as áreas critivas de um filme. Desapareceu da face da terra a geração de quatro décadas atrás; cineastas de um vintênio estão pendurando as chuteiras. Roteiristas e diretores mais novos têm os pés na terra; falam verdades com alguma beleza e correção, mas não arriscam inventar nada ou trazer mensagem nova. É mais uma crise.

"A história do cinema brasileiro é, antes de qualquer coisa, a história de uma crise permanente."

Principais filmes:

Gaijin-Caminhos da Liberdade, Convite ao Prazer, Cabaré Mineiro, O Homem que Virou Suco, A Intrusa, Pixote-A Lei do Mais Fraco, Mulher Objeto, Eros- O Deus do Amor, O Segredo da Múmia, Eles não Usam Black-Tie, Amor, Estranho Amor, O Olho Mágico do Amor, Sargento Getúlio, Bar Esperança- O Último que Fecha, Parahyba, Mulher Macho, Memórias do Cárcere, Eu vou à Luta, A Hora da Estrela, A Marvada Carne, Jeitosa, Eu, Terror e Êxtase, Inocência, Ele, o Boto, Um Trem para as Estrelas, Leila Diniz e Eternamente Pagu, entre muitos outros.

 

Principais atores e atrizes:

Nicole Puzzi, Denise Dumont, Maitê Proença, Maria Zilda, Christiane Torloni, Louise Cardoso, Antônio Fagundes, Miguel Falabella, Alvamar Taddei, Xuxa Meneghel, Tânia Alves, José Dumont, Cláudia Ohana, Mariana de Morais, Lucélia Santos, Natália do Valle, Glória Pires, Ney Latorraca, Carla Camuratti, Zaira Zambelli, André de Biase, Fernanda Torres, Débora Bloch, , Lúcia Veríssimo,Malu Mader, Cássia Kiss.

 

Bibliografia

  • História Ilustrada dos Filmes Brasileiros-1929-1988

Salvyano Cavalcanti de Paiva

Ed. Francisco Alves

1989 - RJ

  • Cinemateca de Curitiba

 

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